As vozes críticas

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O nosso autoconceito (ideia que fazemos de nós próprios) é muitas vezes o resultado da nossa voz interior (normalmente crítica) mas também das vozes (normalmente críticas) que fomos ouvindo ao longo do tempo de figuras de relevo para nós: professores, pais, amigos, vizinhos, primos, etc. que moldaram a nossa realidade.

“Menina bonita não chora/não faz cara feia. Meninos não choram” – proibido expressar emoções negativas (tristeza/raiva/zanga/irritabilidade).

“Não faças fitas/figuras que está toda a gente a olhar!” – tens de ter cuidado com o que os outros pensam, precisas da aprovação dos outros, mesmo que não os conheças (a aparência é importante).

“Deixaste o pai/mãe triste com o que fizeste” – és responsável pelas emoções dos outros.

“O pai e a mãe só ficaram juntos por tua causa” – és responsável pela infelicidade dos teus pais/a culpa da infelicidade dos teus pais é tua.

“Só tiveste 18? Porque não 20?” – nada do que fazes está bem feito, se não podes ser perfeito não tens valor/não és suficiente (suficientemente bom).

“Deixas-me desiludido/a. Estás sempre a desapontar-me. Não fazes nada bem feito” – és uma nulidade, não mereces a minha aprovação/amor/carinho/aceitação (não és merecedor de coisas boas).

“Porque é que não podes ser como a tua colega/prima/fulana ou beltrana” – toda a forma de comparação é um acto de desvalorização que implica não ser suficientemente bom/digno de ser amado.

“Desculpas não se pedem, evitam-se” – não podes falhar/errar, deves sentir-se culpado por todo o mal que fazes/os erros que cometes.

Precisamos parar para pensar de onde vêm determinados sentimentos de desvalor, de não aceitação, autoacusação, autosabotagem, culpa, vergonha, embaraço, necessidade de aprovação, dificuldade em ser o centro das atenções (falar em público, expressar uma opinião, etc.), ser-se espontâneo, genuíno e livre. Temos todas estas amarras silenciosas e registos inconscientes que condicionam a nossa vida por completo. Podemos (e devemos) olhar uma a uma e libertá-las, tal pássaros ao vento.

Published by Paula Chocalhinho

Uso a Psicologia, a Hipnose e as Constelações Familiares para facilitar processos de mudança baseados na autoanálise e no autoconhecimento, indo às causas das perturbações e sintomas (aumento da consciência), promovendo o ensino de estratégias de regulação emocional (ansiedade e pânico) e trabalho com a criança interior para acolhimento das feridas e superação dos traumas. Para marcações, preencher o formulário em Contactar. Podcast Psicologia de Bolso no Spotify.

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