Magnólias brancas (ao perdão)

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O perdão. Como se dá o perdão? Como se concede? Como se sente? Como se chega lá?

Das coisas mais difíceis de fazer porque para podermos perdoar, alguém teve de nos magoar profundamente no mais intimo de nós, porque senão, seria fácil perdoar… Desculpar, relevar, ignorar, ser indiferente.

O real perdão deve ser concedido a todas as partes de nós que possamos achar que falharam, que erraram, que deviam ter sido diferentes, a todos os momentos em que tiveram de decidir, de optar por caminhos, mais ou menos tortuosos e que, escolheram da forma mais acertada possível a cada momento.

Não me canso de frisar isto. A todo o momento e a todo o instante tomamos a única opção possível, dado o nosso nível de entendimento, conhecimento, experiência, maturidade, consciência, temperamento, traços de personalidade, circunstâncias e possibilidades disponíveis.

Com o passar do tempo, com mais experiência, conhecimento e maturidade – e principalmente, conhecimento dos fatos após ter decorrida a experiência – é muito fácil opinar, criticar, julgar, condenar. A nós ou às escolhas ou comportamentos de outras pessoas.

O coração é como uma casquinha de noz, colocamos a raiva à volta dele (exoesqueleto ou parte dura) e no interior está toda a volubilidade das emoções como a tristeza, o pesar, a vulnerabilidade e a dor. Para perdoar há que partir a casquinha e sentir tudo o que lá está e decidir (sublinhar a palavra decidir) enterrar essa dor. Desfazer-se dela.

Dói muito desapegar-se de uma dor, mais ou menos antiga, mais ou menos querida. Libertar a dor de uma perda, traição ou o que for, é um luto em si. Uma dor companheira, amiga, que ajudou a sobreviver, a ir em frente, a “esquecer”. Como se liberta tal dor? Quando decidimos abdicar dela. Tal como se deixa um filho pequeno dar os seus primeiros passos ou ir para a universidade longe.

Deixa-se ir assim, com o coração apertado mas sabendo que se está a fazer o melhor de nós, para essa parte nossa, que tanto precisa de ser livre, voar, e partir. Dói, mas é uma dor necessária. E a todas as pessoas que nos magoaram ou partiram o nosso coração? Enviar-lhe peónias ou magnólias brancas em sinal de reconhecimento: sei que me magoaste, que me feriste – com ou sem intenção – mas não quero mais carregar este ódio ou esta dor da perda por ti…

E como quem se despede de um velho amigo, de um velho livro ou pedaço de papel, uma jóia de família ou peça de roupa querida, deixamos ir…. Para que se possa reciclar, reinventar ou transformar em pó de estrelas ou terra de chão.

Published by Paula Chocalhinho

Uso a Psicologia, a Hipnose e as Constelações Familiares para facilitar processos de mudança baseados na autoanálise e no autoconhecimento, indo às causas das perturbações e sintomas (aumento da consciência), promovendo o ensino de estratégias de regulação emocional (ansiedade e pânico) e trabalho com a criança interior para acolhimento das feridas e superação dos traumas. Para marcações, preencher o formulário em Contactar. Podcast Psicologia de Bolso no Spotify.

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