Os lugares de dor

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Há espaços de dor que só se podem abrir de dentro para fora. Há memórias em nós difíceis de quebrar, memórias celulares dos nossos ancestrais, memórias e registos de dor, de trauma, de tormento. A história pode ter-nos passado ao lado em certos aspectos, mas ela continua a viver em nós de certa forma. Não somos indiferentes a catástrofes que não aconteceram directamente connosco, e não só, somos também empáticos com o sofrimento de outros.

Há um sofrimento colectivo que está agregado em nós, nas nossas células, nas nossas memórias inconscientes, naquilo que os nossos pais, avós e familiares mais distantes vivenciaram. Temos padrões em nós ainda, que não fazem qualquer sentido actualmente, mas eles existem, e eu sei que sabem do que falo. Coisas que fazemos, pensamos e sentimos que parece que não correspondem com aquilo que somos actualmente. Nota-se mais quando somos pais ou mães, ou mesmo em algumas reacções que temos, que parecem não corresponder com os nossos ideais ou como decidimos colocar-nos perante determinadas circunstâncias.

Somos uma teia emaranhada de factores, registos, condicionamentos sociais, culturais e familiares. Tanta coisa em nós por decifrar, perceber e trabalhar. Libertar-nos desses condicionamentos e registos não se faz sem dor. Esses próprios padrões ou registos trazem dor, trazem-nos limitações. Limitações no dar, no receber, no agir, no conseguir, no fazer, no ir em frente, ultrapassar determinadas situações, o perdão, etc.

É importante ir dentro, ir fundo, fazer o trabalho de desenvolvimento pessoal, auto conhecimento, fazer introspecção, não nos ficarmos com o “molde” herdado ou criado. Somos tão mais para além desse molde, não podemos permanecer numa estrutura rígida de sofrimento ou limitação. Que possamos romper os moldes para podermos ser leves, flexíveis, libertos e livres enfim. Os lugares de dor são cárceres e carcereiros dos quais nos podemos libertar. Você tem a chave. Sempre teve.

Published by Paula Chocalhinho

Uso a Psicologia, a Hipnose e as Constelações Familiares para facilitar processos de mudança baseados na autoanálise e no autoconhecimento, indo às causas das perturbações e sintomas (aumento da consciência), promovendo o ensino de estratégias de regulação emocional (ansiedade e pânico) e trabalho com a criança interior para acolhimento das feridas e superação dos traumas. Para marcações, preencher o formulário em Contactar. Podcast Psicologia de Bolso no Spotify.

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