O meu kit de sobrevivência a esta pandemia

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Ao longo dos vários anos fui aprendendo várias estratégias de gestão e contenção  emocional bem como de reestruturação cognitiva que agora se têm revelado extremamente úteis. Vou falar um pouco delas:

1. Consciência e autoconhecimento

Se há ponto de partida é este: treinar a nossa autoconsciência para nos conhecermos melhor. Conhecermos os nossos processos, os nossos gatilhos, os nossos pensamentos, as nossas emoções e o que nos faz paralisar. Este é um trabalho de introspecção, de reflexão e de entendimento. É pensar sobre nós e sobre o que nos faz agir, o que nos bloqueia, o que nos entusiasma e o que não gostamos. É perceber, de forma simbólica, qual a nossa sombra e qual a nossa luz. Quais as nossas forças e quais as nossas fraquezas, bem como qual é o nosso potencial afinal, ou onde quero chegar, como quero ser (eu ideal) e o que quero desenvolver.

2. Estratégias de regulação emocional

Aqui há várias. Eu gosto de fazer reiki para acalmar e modificar a minha frequência energética, normalmente quando estou ansiosa, agitada, ou me começo a sentir doente ou com alguns sintomas como aperto ou toxicidade no peito ou garganta. Para isso não é preciso grandes procedimentos, normalmente coloco as mãos sobre o estômago ou sobre o peito e imagino uma luz ou energia curativa passar pelas minhas mãos e pacificando a zona onde as tenho.

Recorro muito também à meditação ou autohipnose: ou oiço áudios que vou encontrando de outros terapeutas pela Internet e redes sociais, ou sento-me ou deito-me e fecho os olhos, dizendo para mim mesma frases de calma, de conforto e de segurança (afirmações ou decretos), imaginando desfechos positivos ou ambientes calmos. Faço também muito o exercício da criança interior, da figura sábia ou do lugar seguro (tudo coisas que vos ensino em consulta e que podem repetir em casa).

Outra das ferramentas que uso abundantemente é a respiração abdominal, que é uma respiração consciente e premeditada, ou a respiração da coerência cardíaca (conto até cinco mentalmente na inspiração e novamente na expiração).

3. Reestruturação cognitiva

Esta é um clássico. Aprendi na minha formação de psicologia e apesar do nome parecer algo relacionado com engenharia civil, é muito simples, na verdade. No fundo, é prestar atenção aos nossos pensamentos. A lógica por detrás desta ferramenta é simples e fácil de aplicar e de perceber: tudo o que penso vai afectar a forma como me sinto e o que faço ou deixo de fazer. Se me acho um fracasso, se penso que sou inútil e não consigo mudar as minhas circunstâncias, sinto-me deprimida e incapaz, como tal nem tento nenhuma resolução que me poderia tirar da minha situação actual.

Muitas vezes vamos cair em pensamentos desses e faz parte do nosso processo de crescimento e aprendizagem, o que é importante aqui, é escrutinar esses pensamentos e apresentar-lhes alternativas. É isso que é a reestruturação. Sermos os nossos próprios advogados e terapeutas, por assim dizer. Contestar os nossos pensamentos, as nossas crenças mais antigas. Talvez elas estejam desactualizadas, talvez não sejam verdade. Custa fazer isto, mas é um treino que traz muito bons resultados. Ora experimente. A mente é sua, pode treiná-la como quiser.

4. Decisão e iniciativa

Esta aqui é a parte prática e a mais importante, a seguir à consciência e autoconhecimento, que no fundo é tomar decisões sobre a sua vida, estabelecer objectivos concretizáveis e realistas, e por em acção um plano, um movimento, e avançar com ele. Tudo parte da decisão, até o pensar diferente, o fazer diferente e o utilizar ou não as estratégias que falei em cima.

Posso ter todas as ferramentas ao meu alcance mas elas de nada servem se não as ponho em prática. Costumo comparar isto ao exemplo do médico que prescreve uma determinada medicação para um determinado problema e a pessoa não tomar essa medicação. De nada serve ir ao médico assim, se for só para ter um diagnóstico. Sim fica com esse conhecimento, mas o resto é consigo. Não basta só saber, há que meter em prática o que é preciso e necessário.

Published by Paula Chocalhinho

Uso a Psicologia, a Hipnose e as Constelações Familiares para facilitar processos de mudança baseados na autoanálise e no autoconhecimento, indo às causas das perturbações e sintomas (aumento da consciência), promovendo o ensino de estratégias de regulação emocional (ansiedade e pânico) e trabalho com a criança interior para acolhimento das feridas e superação dos traumas. Para marcações, preencher o formulário em Contactar. Podcast Psicologia de Bolso no Spotify.

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