Há que parar para integrar

Não podemos estar sempre em actividade. Ou melhor, poder até podemos, mas não devemos. Há que parar, algumas vezes, algum tempo, para introspecção, para processar os acontecimentos, as experiências, as situações, para poder incorporar e processar sentimentos, emoções e percepções. Isto quer dizer, não estar constantemente a saltar entre socialização, trabalho, actividades, ocupações, etc. Há que conseguir um “me time“, um tempo de qualidade para si e para as suas questões internas. Sei que para quem tem filhos isto torna-se difícil, na azáfama dos dias, entre leva para a escola, vai para o trabalho, sai e vai ao supermercado, buscar filhos, levar a actividades extra curriculares, preparar jantar, limpar casa, passear cão, estender roupa, etc.

Este “me time” reverte-se em tempo para meditar, ler, fazer yoga ou outra actividade que lhe traga prazer, como escrever, pensar ou até ver um documentário ou aquela série de que gosta. Há muitas pessoas viciadas em estar ocupadas e até acompanhadas constantemente, numa forma de fuga a si mesmas. Pessoas que não conseguem, ou não gostam, de estar sozinhas e não ter planos para os tempos livres, como se a ansiedade se apoderasse delas se ficam sozinhas consigo mesmas. Isto acontece consigo? Se sim, pode estar a evitar alguma sensação ou emoção desconfortável.

Pessoas que se sentem desconfortáveis quando estão sozinhas, sem nenhuma actividade combinada nos seus tempos livres, podem estar a evitar olhar para si mesmas, olhar para dentro. Este sentimento de solidão é algo que muitas pessoas evitam, ou que experienciam com alguma ou muita ansiedade, bem como a compulsão para a actividade pode também querer dizer que a pessoa sente que tem de estar sempre a produzir para se sentir “útil” de alguma forma, se não, sente-se uma fraude ou um fracasso.

De qualquer das formas, há que olhar para essa fuga para a actividade ou para a companhia constante, como um possível evitamento de processos internos, inseguranças, sentimento de solidão ou inutilidade. Caso não esteja a conseguir fazê-lo sozinho/a, procure ajuda para poder desconstruir o que se passa em si e que fenómenos estão por detrás dessa fuga ou evitamento, ou desconforto em estar consigo. Há que transformar o vazio da solidão em solitude: o gosto por estar consigo, sentindo-se completo/a ou preenchido/a com a sua própria presença e companhia.

Published by Paula Chocalhinho

Uso a Psicologia, a Hipnose e as Constelações Familiares para facilitar processos de mudança baseados na autoanálise e no autoconhecimento, indo às causas das perturbações e sintomas (aumento da consciência), promovendo o ensino de estratégias de regulação emocional (ansiedade e pânico) e trabalho com a criança interior para acolhimento das feridas e superação dos traumas. Para marcações, preencher o formulário em Contactar. Podcast Psicologia de Bolso no Spotify.

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