Como lidar com a dor emocional

Não há que evitá-la, primeiro ponto. Para já, porque não consegue, mesmo que queira. Até pode tentar anestesiá-la com drogas, álcool, ocupação constante, fuga para os outros – sim, cuidar dos outros constantemente, estando sempre disponível e nunca dizendo que não, em vez de cuidar e tratar de si, que, para a saúde mental, é algo indispensável. Portanto, não podendo evitá-la, como posso lidar com ela? Essa é a grande questão.

Todos passamos por dor emocional. Não há quem nunca tenha experienciado uma, ou várias perdas. A morte de um animal de estimação, de um familiar, o afastamento de um amigo ou amiga, uma separação, o que seja. E também não se pode dizer que há pessoas sem traumas. Trauma pode ser qualquer coisa, morte, doença, acidente, abuso, violência, o que seja. No fundo, todas as situações que nos marcaram imenso e que nos custaram muito. O próprio nascimento é um trauma. E esta?

Experienciar dor emocional é uma coisa, lidar com ela é outra completamente diferente. Todos experienciamos choques na vida, mas nem sempre sabemos o que fazer a tanta dor causada por esses choques da perda e do trauma. Ninguém nos ensina a lidar com a dor. Das duas uma: ou se evita falar sobre ela (ainda há dias publiquei no meu Facebook acerca da positividade tóxica, em que se rejeita completamente a negatividade) e tentamos não pensar sobre o assunto e enterrá-lo nas partes mais recônditas do nosso ser, ou então falamos nisso constantemente, numa posição de vitimização ou queixume e repetição de tudo o que nos fizeram ou que nos aconteceu de mau e essa passa a ser a nossa narrativa diária.

O que acontece à dor enterrada dentro de nós? Quando não processada, ela vai converter-se em sintomas, doenças ou perturbações mentais, como por exemplo o síndrome do cólon irritável, urticária crónica, ataques de pânico, fobias, depressão, cancro, etc. Mesmo quem fala constantemente nas suas dores, nada está a fazer por elas. Ventilar problemas (quando falamos sobre as coisas no intuito de nos sentirmos melhor, ou por outras palavras, desabafamos com alguém) é uma coisa, tratá-los ou processá-los é outra.

Então o que temos de fazer com a dor? Ouvi-la e escutá-la; vê-la e reconhecê-la e, após estes estágios, acolhê-la amorosamente dentro de nós. Se pudesse resumir em três etapas seria: Ver, reconhecer e acolher. Normalmente o que fazemos quando algo nos desagrada? Olhamos para o lado, evitamos. Com a dor não podemos fazer isso durante muito tempo ou então ela vai chorar e gritar até poder ser vista. Este é o processo: reconhecer que está lá aquela dor, olhar para ela e receber a sua mensagem. A seguir, acolher e abraçar essa dor até ela se desvanecer e transformar noutra coisa qualquer, como alívio, leveza, libertação e amor.

Se é fácil fazer isto? Não. Fugimos anos, se for possível. Se conseguimos fazer sozinhos? Às vezes (ou muitas vezes) não. Há que procurar ajuda para poder processar essa dor, mas um terapeuta com a formação certa poderá ajudar a fazer esse processo. Se há anos que luta contra uma depressão, uma fobia, um transtorno, ansiedade e ataques de pânico, não hesite. Vá fundo em si e permita-se fazer o que essa dor em si precisa: de um colo amoroso e sempre presente.

Published by Paula Chocalhinho

Uso a Psicologia, a Hipnose e as Constelações Familiares para facilitar processos de mudança baseados na autoanálise e no autoconhecimento, indo às causas das perturbações e sintomas (aumento da consciência), promovendo o ensino de estratégias de regulação emocional (ansiedade e pânico) e trabalho com a criança interior para acolhimento das feridas e superação dos traumas. Para marcações, preencher o formulário em Contactar. Podcast Psicologia de Bolso no Spotify.

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