A pele emocional

A nossa pele é um sensor gigante a estímulos tácteis. Deteta ameaças do meio através desses sensores, ameaças que possam danificar a integridade do organismo. Como tal, a pele é a primeira barreira física que temos com o exterior, e nela se podem manifestar várias ameaças. Se tocar numa superfície quente, cortante, ou perfurante, por exemplo, depressa afasta a mão, pois é instintiva a proteção. Igual fazemos quando agarramos em algo congelado. Quando começa a ser insuportável esse contato, também depressa largamos esse algo. O nosso campo emocional também tem as suas defesas e limites, e esses sensores são as emoções.

E esta? As emoções são mensageiras do nosso corpo emocional, da mesma forma que os pensamentos são os do corpo mental. Se estivermos atentos a estes três corpos e às suas mensagens, podemos responder às várias ameaças que eles libertam. Nesse caso, tornamo-nos muito mais conscientes de nós e dos nossos limites. Faz sentido, não é verdade? Então o corpo físico defende-se através da pele e através dos órgãos dos sentidos: do olfato, da visão, do tato e do olfato. Esses sinais físicos são interpretados pelo corpo mental (mente e sistema nervoso, ao princípio de uma forma automática), que enviam informações ao resto do corpo sob a forma de ativação fisiológica , e todas as nossas respostas comportamentais baseiam-se numa de três hipóteses: ou lutamos/confrontamos a situação, ou fugimos/evitamos, ou mesmo paralisamos e não fazemos nem uma nem outra.

Os três corpos estão ao serviço do instinto de sobrevivência, e esse instinto é regido por uma emoção primordial que partilhamos com outras espécies, de seu nome MEDO. O medo, quando se ativa, envia informações para a nossa mente e temos pensamentos como: “Cuidado! Perigo, alerta, isto é perigoso!”, bem como envia estímulos para o corpo físico, como suores, batimento cardíaco acelerado, tremores, etc., e ativa o corpo emocional com sensação ou perceção de perigo iminente e sentimos medo e ansiedade. Então os três sistemas estão interligados e comunicam uns com os outros.

Sendo nós um circuito fechado, podemos intervir em cada um destes sistemas para travar o instinto de ameaça que se ativou, ou tranquilizando a nossa mente com um “tem calma, está tudo bem” (que nem sempre funciona), como podemos respirar fundo umas quantas vezes para tranquilizar o nosso coração e corpo físico (que também nem sempre funciona), ou podemos tranquilizar as nossas emoções, que é um mecanismo muito mais rápido. Dessa forma, tranquilizar as emoções é reconhecê-las, falar diretamente com elas, pois é o nosso centro emocional que, no fundo, emite as respostas emocionais aos perigos e ameaças, nomeadamente imaginários ou virtuais (aqueles que acontecem na nossa cabeça, que é imaginar os piores cenários possíveis).

Neste caso, ou muda os cenários (os pensamentos catastróficos), e mesmo assim eles têm tendência a voltar, ou comunica ao campo emocional: “Olha já te vi, já sei qual é a tua preocupação, mas quero que saibas que eu estou bem, está tudo certo, eu tomo conta”, e isto é diferente de tentar convencer o cérebro ou o corpo mental só com palavras de “está tudo bem” e contudo ele continuar a sentir uma ameaça. Por isso digo, nada como apelar diretamente à central envolvida nas nossas respostas emocionais. Como se faz isso? Com treino , está claro. Isso é o que é feito no trabalho com a hipnose: falar com as nossas partes assustadas e tranquilizá-las.

Published by Paula Chocalhinho

Uso a Psicologia, a Hipnose e as Constelações Familiares para facilitar processos de mudança baseados na autoanálise e no autoconhecimento, indo às causas das perturbações e sintomas (aumento da consciência), promovendo o ensino de estratégias de regulação emocional (ansiedade e pânico) e trabalho com a criança interior para acolhimento das feridas e superação dos traumas. Para marcações, preencher o formulário em Contactar. Podcast Psicologia de Bolso no Spotify.

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