A mente detesta ficar no presente

A mente foi desenhada para resolver problemas e identificar ameaças. Quando eles não existem no presente, a mente fabrica-os, imagina-os e tenta prever os perigos. Quando assim é, projeta-se no futuro, como uma sniper à espera de poder abater o seu alvo, tentando adivinhar-lhe os passos. A mente é ardilosa, e tenta convencer-nos da sua exatidão e capacidade de previsão (que não é nenhuma), ativa-nos os mesmos mecanismos físicos e emocionais como se tudo isso se estivesse a passar aqui e agora, mesmo não sendo verdade. E nós, no nosso transe sonambúlico, no nosso piloto automático e estado de não contestação dos nossos pensamentos e sensações de medo, lá seguimos a nossa mente nas suas artimanhas para o fundo do poço: até não restar nada que não nos meta medo.

Parece um cenário dantesco, mas é assim que nascem os ataques de pânico e as fobias: quando a ansiedade está lá sempre, à espreita, fazendo de nós meninos e meninas apavoradas por qualquer sombra que possa surgir no horizonte. Mas não tema, para tudo há resposta, e para este dilema igual. Não só podemos contestar os nossos pensamentos, como podemos falar com as nossas emoções e reprogramar a nossa mente, mostrando e assumindo a autoridade e soberania que somos, enquanto consciência fria e que consegue detetar todos estes fenómenos. É disso que se trata – e o que se aprende – em terapia, através da psicologia cognitivo-comportamental e hipnose.

A mente detesta estar no presente porque fica no vazio, no nada, no silêncio mental, em que só há o que está à nossa frente, só sabemos o que sabemos nesse momento, não há o que fazer nem com o que nos preocuparmos. Todos pedimos paz, mas todos tememos essa paz que ficar no presente traz: a ausência de medo, a ausência de mente e por vezes ausência até de pensamentos, aí surge o medo, medo de não estarmos a controlar a realidade (como se fosse possível…), medo de não estarmos atentos, de não nos apercebermos do que está a acontecer, medo de não estarmos preparados para o pior – para quê? Para quê nos queremos preparar para o pior? Para não nos custar tanto se acontecer. O que é certo é que 99% dos cenários que imaginamos não acontecem, pois não?

Então o que temos de dizer à nossa querida mente, e ao seu precioso instinto de sobrevivência (MEDO) é: “Não temas, eu estou aqui e tomo conta, sou capaz de resolver todos os problemas e situações que chegarem. Eu dou conta, os meus sentidos funcionam perfeitamente, por isso, se alguma ameaça surgir, eu vou perceber e agir em conformidade, porque posso contar com o meu instinto de sobrevivência e as reações naturais do meu corpo, que foi desenhado para sobreviver a todo o custo e proteger a espécie de qualquer perigo”. E a mente escuta (la está sempre à escuta) e acalma.

Published by Paula Chocalhinho

Uso a Psicologia, a Hipnose e as Constelações Familiares para facilitar processos de mudança baseados na autoanálise e no autoconhecimento, indo às causas das perturbações e sintomas (aumento da consciência), promovendo o ensino de estratégias de regulação emocional (ansiedade e pânico) e trabalho com a criança interior para acolhimento das feridas e superação dos traumas. Para marcações, preencher o formulário em Contactar. Podcast Psicologia de Bolso no Spotify.

2 thoughts on “A mente detesta ficar no presente

  1. Uma forma bem resumida e eficaz ( mas não fácil de pôr em prática 😅) de como se pode ” enfrentar” está pandemia… ❤️
    Beijinhos Paula!

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