As três consciências

Adulto, criança e alma. Consciente, inconsciente e superconsciente. Três consciências a operar em nós, mas muitas vezes a serem dominadas pelo self infantil, a nossa criança interior, que representa muito dos nossos medos e limitações derivados de crenças e vivências que criaram defesas em relação ao exterior. Essas defesas, muitas vezes, estão ao serviço da lealdade ao clã. Por lealdade, ou amor cego, a criança suporta dores, repete padrões familiares, e muitas vezes não persegue o sucesso dos seus relacionamentos ou até mesmo o seu sucesso profissional ou financeiro, para não se sobrepor ao que veio antes, não querendo fazer diferente, numa lógica distorcida de medo de deixar de pertencer – medo da exclusão.

A lealdade da criança é tal que, por observar certos e determinados padrões na família, na mãe e no pai, fundamentalmente, e na relação destes um com o outro, a criança vai assumir a posição de copiar esses modelos, inconscientemente, ou rebelar-se desses modelos, evitando a todo o custo repeti-los, ainda que isso implique solidão, isolamento ou autosabotagem nos seus relacionamentos ou sucesso profissional. Na tentativa de fazer diferente, de não viver o mesmo que observou, pode afastar tudo e todos, ou então, copiando os modelos, não querer seguir os seus sonhos porque isso implicaria fazer diferente e viver em abundância e prosperidade, por exemplo, diferente do que os seus antecessores viveram.

O nosso adulto está, muitas vezes, dividido nestas duas polaridades: o self infantil, com as suas feridas, carências ou faltas, e o self superior, ou alma, que sempre sabe qual o melhor caminho e a melhor direção a seguir, ou aquela que á a mais acertada para nós em cada momento. A nossa alma fala-nos várias vezes, através do doce sussurro da intuição, que é sempre gentil, subtil e certeiro. A criança grita, choraminga, zanga-se, faz birra, bate o pé, não quer ver, não quer ouvir. Quer apenas defender-se e seguir o caminho mais seguro, evitando o novo e o desafiante, muitas vezes fazendo jogos e sabotando-nos na tentativa de levar a sua avante. Afinal, a criança apenas quer continuar a ser criança e única para os pais (tantas vezes na posição de salvadora ou cuidadora das suas dores).

O adulto? Pois bem, o adulto a maior parte das vezes nem sabe o que se passa consigo, só sabe (ou sente), que tem forças contrárias a operar em si, forças antagónicas que o dividem: por um lado quer uma coisa, por outro lado não consegue chegar lá. O sim e o não. O quero e o não quero. O gostaria e o não consigo. Como fazer então? Se virmos segundo uma hierarquia, como uma pirâmide, no topo estará a alma, sempre presente, solene, intemporal – a inspiração e a intuição. No meio está o adulto – o centro do poder (o consciente). Na base está a criança – o início de tudo, a nossa génese e a maior parte da nossa programação (o inconsciente).

Então o adulto tem de assumir o seu lugar de soberania, conectar-se à alma e acolher a criança. Resumidamente, este é o processo. Só que, na grande maioria das vezes, o adulto não está consciente destes processos, destas forças contraditórias. Muitas vezes está ao serviço da criança e dos seus processos de lealdade, operando ao nível das feridas infantis, e completamente alheado da alma, da sua consciência superior. Há que trabalhar esse adulto, empoderá-lo, para que ele assuma o comando, finalmente.

Published by Paula Chocalhinho

Uso a Psicologia, a Hipnose e as Constelações Familiares para facilitar processos de mudança baseados na autoanálise e no autoconhecimento, indo às causas das perturbações e sintomas (aumento da consciência), promovendo o ensino de estratégias de regulação emocional (ansiedade e pânico) e trabalho com a criança interior para acolhimento das feridas e superação dos traumas. Para marcações, preencher o formulário em Contactar. Podcast Psicologia de Bolso no Spotify.

Leave a Reply

%d bloggers like this: