Aos vazios que tememos

O vazio parece algo aterrador, não é verdade? Sabe porquê? Porque nos conecta com a morte: o desconhecido, o não saber. Esse é o verdadeiro desconhecido, o não saber. E em vida nós morremos para várias coisas, várias pessoas, várias relações, várias situações. Sempre que há uma mudança, há algo que tem de morrer – o velho dá lugar ao novo. Temos várias transições destas ao longo da vida.

As nossas células fazem esse processo diariamente, os nossos cabelos caem, a nossa pele renova, as nossas plantas também morrem ou perdem folhas, nós passamos de bebés a crianças, de crianças a adolescentes e de adolescentes a adultos. Saímos da creche para ir para a escolinha, da escolinha (em todos os seus níveis) para o secundário, do secundário para a universidade, da universidade para o mundo do trabalho. Mudamos de casa, mudamos de localidade, mudamos de trabalho, terminamos e iniciamos relações. Tudo muda sempre.

A vida é um ciclo contínuo de morte e renascimento, de uma coisa para outra, de algo anterior para algo posterior, do antes para o depois, da noite para o dia, do escuro para o claro. Tudo na natureza é assim. Nada é imutável, a não ser as ordens e o caos organizado do universo. Não podemos fugir a essa lógica, pois fomos feitos da mesma matéria de que os astros são feitos, de que a própria galáxia é feita. E sim, vão haver espaços vazios. Não vamos gostar deles, não nos vamos sentir confortáveis neles nem vamos saber lidar com eles a maior parte das vezes, mas sabem que trago sempre boas notícias nesta parte, não sabem?

Podemos sim olhar para o vazio com outros olhos: o vazio como um espaço a ser ocupado por outra coisa que nos faça mais sentido do que a anterior ocupante. Se nesse espaço havia a dor, pode muito bem haver amor. Se nesse espaço havia um apego, pode muito bem passar a haver libertação. Se nesse lugar havia tristeza, pode muito bem passar a haver alegria. Aqui a questão é: o quão está apegado às suas dores? Quanto medo tem de deixar esse lugar vazio? De libertar essas velhas emoções, sentimentos ou pensamentos? Está disposto/a a deixar ir uma coisa e colocar lá outra?

Há sempre a necessidade da transformação de uma coisa pela outra. Assim é na natureza também. Temos medo do que não conhecemos, e isso inclui o bom também. O amor, o sucesso e a liberdade. Ficamos reféns do que nos prende, do que nos pesa. Mas também tememos a responsabilidade de ficar livres e fazer diferente, pelos simples facto de ser desconhecido e, como tal, ameaçador. Mas não tenha medo, ou melhor, tenha medo à vontade, mas passe pelo processo. Vai poder ter lugares preenchidos com coisas bem melhores do que essas que tem mantido até então.

Published by Paula Chocalhinho

Uso a Psicologia, a Hipnose e as Constelações Familiares para facilitar processos de mudança baseados na autoanálise e no autoconhecimento, indo às causas das perturbações e sintomas (aumento da consciência), promovendo o ensino de estratégias de regulação emocional (ansiedade e pânico) e trabalho com a criança interior para acolhimento das feridas e superação dos traumas. Para marcações, preencher o formulário em Contactar. Podcast Psicologia de Bolso no Spotify.

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