50 sombras de estados emocionais

Quem aí acha que é bipolar por ter várias emoções e estados de espírito por dia?

A bipolaridade é uma perturbação do humor caracterizada por episódios de depressão, alternando com crises de mania: euforia, humor aumentado, necessidade de menos horas de sono, comportamentos erráticos e impulsivos, etc. A depressão clínica é um estado de humor deprimido, baixa energia, baixa autoestima, desesperança ou desânimo, aumento ou diminuição do apetite bem como do sono, labilidade (facilidade em chorar), falta de interesse e motivação, pensamentos sobre a morte ou o morrer, dificuldade em concentração e baixa libido (desejo sexual).

Uma coisa é estarmos tristes de vez em quando (deprimidos), e até podemos ter alguns ou muitos dos sintomas da depressão clínica, mas isso não quer dizer que seja uma depressão. Para ser considerada uma depressão clínica, tem de causar um grande sofrimento e prejuízo na vida da pessoa, seja profissional (não conseguir trabalhar) ou social (necessidade de isolamento), por exemplo. Mas há também a depressão funcional, em que a pessoa não mostra sinais dos sintomas, e consegue funcionar bem em contexto profissional e social, até dando resposta aos seus compromissos, mas internamente sentindo uma grande dor ou angústia.

Sentir vários estados de humor ao longo da semana é normal do ser humano. Sentimos várias coisas ao longo do dia-a-dia porque pensamos em várias coisas, temos várias memórias e acontecem-nos variadas coisas ao longo da semana. Nós como seres emocionais somos reativos em relação ao nosso mundo interno e também em relação ao mundo externo. Ou seja, de acordo com o que estamos a pensar e a sentir num dado momento, assim será o humor correspondente. Da mesma forma que, de acordo com o que estiver a acontecer nas nossas vidas, assim será também o nosso estado emocional.

Faz sentido, certo?

Ter uma perturbação do humor tem a ver com a gravidade do que se sente e com o prejuízo que isso tem na vida da pessoa, mas também com a duração dos sintomas. Se o que sente é flutuante e não tem impacto direto no seu funcionamento, não pode ser considerado uma perturbação do humor. Há dias em que se vai sentir triste, abatido/a, derrotado/a, stressado/a, e outros em que se vai sentir animado/a, entusiasmado/a, alegre e esperançoso/a, e faz parte da experiência humana. A chave é conseguir aceitar todos os seus estados emocionais, sem crítica nem julgamento, pois quanto mais lhes resiste, mais eles persistem.

Se sente que o que sente é demasiado, não consegue ultrapassar nem sentir diferente, e que isso tem um impacto negativo na sua vida, procure ajuda. Se o que sente é passageiro, e disso não resulta uma dificuldade, há que sentar com as emoções e dar-lhes colo e atenção. É uma parte de si que quer a sua atenção, compreensão e carinho. O nosso mundo emocional é muito rico em informações, e é também vasto. Ainda bem, torna-nos complexos, profundos e belos. Há sim, muitas vezes, a dificuldade em aceitarmos determinadas emoções que não gostamos de sentir, como a tristeza, a raiva ou a frustração, por exemplo, mas elas também fazem parte e também fazem falta. Se as puder aceitar e comunicar com elas, vai ver que se torna muito mais fácil e elas passam bem mais rápido.

Published by Paula Chocalhinho

Uso a Psicologia, a Hipnose e as Constelações Familiares para facilitar processos de mudança baseados na autoanálise e no autoconhecimento, indo às causas das perturbações e sintomas (aumento da consciência), promovendo o ensino de estratégias de regulação emocional (ansiedade e pânico) e trabalho com a criança interior para acolhimento das feridas e superação dos traumas. Para marcações, preencher o formulário em Contactar. Podcast Psicologia de Bolso no Spotify.

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