Há dois caminhos: o da obediência ou o da rebeldia

Perante o que somos ensinados, temos uma escolha: ou conformamo-nos ou rebelamo-nos. Ou seja, ou escolhemos o caminho da obediência cega ou então fazemos diferente daquilo que nos pedem ou esperam de nós. Exemplos: a menina que, para agradar aos pais, segue determinado percurso e faz tudo para que a aprovem, muitas vezes sacrificando a sua própria felicidade e liberdade. Ou o menino que, ao contrário do que seria esperado, afasta-se completamente e segue um rumo antagónico àquele que seria esperado pela família, opondo-se às regras. Não são sempre as meninas que escolhem a obediência nem os meninos que seguem a rebeldia. Pense nas meninas maria-rapazes, ou os meninos que não conseguem afastar-se dos pais, fazendo tudo por eles, por exemplo.

Aqui o que é certo é que há uma escolha evidente, ainda que inconsciente, do caminho que tomamos: fazemos o que a família e sociedade espera de nós, ou seguimos um rumo diferente. Como as mulheres que não querem ser mães e se dedicam exclusivamente à carreira, ou os homens que querem ficar em casa a cuidar dos filhos e são eles os cuidadores dos familiares dependentes, por exemplo. Tanto um caminho como o outro tem consequências: o da rebeldia pode ser a exclusão, família zangada e que despreza, ignora ou deixa inclusivamente de falar a um dos seus elementos. A consequência última será o isolamento. Pensemos num homem ou numa mulher homossexual, cuja família não aceita essa orientação.

A consequência da obediência cega, fazer tudo pelo bem estar e contentamento dos outros, leva muitas vezes a uma vida solitária, em que se guarda os sentimentos e as emoções para não preocupar os outros, vivendo aquilo que é esperado mas não aquilo que verdadeiramente gostaria de viver, vivendo numa prisão e insatisfação constante, em que viver os sonhos ou viver em liberdade parece algo impossível. A consequência última será uma vida não vivida por inteiro. Reparem na repetição da palavra “viver”. Esta é uma não vida, uma vida não completa. Mas o outro lado, o da rebeldia com exclusão familiar ou social, também não é uma vida completa, na verdade, pois não?

Então o que fazer? Como sempre, encontrar o meio termo, entre o submeter-se às normas e regras vigentes, e encontrar a satisfação nas escolhas pessoais, afirmando a sua verdade de forma inteligente e assertiva – o que para si é importante, possível ou não. O que acredita e o que pretende ou não da sua vida. Encontrar a forma de comunicar e expressar-se, quando expressar-se e não, é fundamental.

Contudo, ninguém consegue viver em liberdade absoluta, ou então abandona por completo o sistema onde pertence, mas mesmos os monges budistas, as freiras ou os indigentes acabam por pertencer sempre a um grupo, a um sistema, a uma hierarquia. Mesmo quem agarra numa mochila e deixa tudo para trás, continua a precisar do sistema económico, do sistema de transportes existentes, ou do sistema alimentar e de alojamento para poder sobreviver, porque precisa deslocar-se, precisa alimentar-se, precisa vestir-se, precisa de um teto onde dormir, precisa de documentação para circular, etc.

Então, viver na terra em plena liberdade, é uma ilusão. Só podemos ser livres nas nossas mentes e nos nossos pensamentos, e mesmo assim somos limitados pela nossa programação inconsciente. O caminho do meio é aquele que é o certo para si, aquele em que escolhe aceitar que há uma força que nos leva a submeter e obedecer, e uma força que nos leva a rebelar-nos pela nossa maior verdade e pelo nosso melhor potencial que, no fundo, é sempre fazer diferente e virar-se para a vida que só pode ser sua e de mais ninguém.

Published by Paula Chocalhinho

Uso a Psicologia, a Hipnose e as Constelações Familiares para facilitar processos de mudança baseados na autoanálise e no autoconhecimento, indo às causas das perturbações e sintomas (aumento da consciência), promovendo o ensino de estratégias de regulação emocional (ansiedade e pânico) e trabalho com a criança interior para acolhimento das feridas e superação dos traumas. Para marcações, preencher o formulário em Contactar. Podcast Psicologia de Bolso no Spotify.

Leave a Reply

%d bloggers like this: