A criança experiencia sempre culpa

Qual é a culpa da criança? Ser desaprovada ou castigada, neste caso, ficar com a sensação de que fez algo de errado, algo que irritou ou desagradou os pais. A criança também se pode sentir culpada pela dor dos pais, pelos desentendimentos, pelas dificuldades do casal, pelo simples facto de existir, se isso a faz sentir que é um fardo, ou até de não ser aquilo que os pais idealizaram. Se pensarmos bem, sentimos culpa desde pequeninos, quando fazemos algo de “mal” (desaprovado pelos outros elementos da família) ou quando vemos os pais a sofrer, tomando as dores dos pais como suas, logo desde a barriga da mãe.

Quando crescemos, continuamos a sentir culpa quando fazemos algo de que os outros não gostam, quando dizemos que não, quando desagradamos alguém, e por isso submetemo-nos e sujeitamo-nos a quase tudo, até a anularmos as nossas necessidades, a nossa opinião, os nossos instintos, só pela necessidade de pertencer. A exclusão para nós representa a morte, pensarem mal de nós, deixarem de gostar de nós por algo que fazemos ou dizemos, sermos rejeitados por outros. Mas essa é a preocupação do nosso lado infantil: deixar de pertencer, ou ser rejeitado. A criança experiencia um medo de morte de ser abandonada pois, nessa altura, não tem recursos para sobreviver, como tal, submete-se a tudo o que aconteça, pois não tem a possibilidade de se posicionar contra a família.

Na idade adulta continuamos com o medo da desaprovação e da rejeição, que, no fundo, são a mesma coisa. Medo de deixar de pertencer. Só que, na idade adulta, rejeição não significa morte. Se alguém se afastar de nós, seja pelos motivos que for, não morremos, e a vida continua. Como tal, o medo de magoar outros, ou que outros desaprovem, tem tudo a ver com a compulsão de ter de corresponder às expectativas dos outros, senão, o que acontece? Pois é, a exclusão. Então, quando trabalhamos estas feridas e noções infantis, conseguimos posicionarmo-nos muito mais facilmente perante os outros na nossa idade adulta.

Published by Paula Chocalhinho

Uso a Psicologia, a Hipnose e as Constelações Familiares para facilitar processos de mudança baseados na autoanálise e no autoconhecimento, indo às causas das perturbações e sintomas (aumento da consciência), promovendo o ensino de estratégias de regulação emocional (ansiedade e pânico) e trabalho com a criança interior para acolhimento das feridas e superação dos traumas. Para marcações, preencher o formulário em Contactar. Podcast Psicologia de Bolso no Spotify.

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