As nossas partes lutam por sobreviver

Qualquer organismo luta pela sua sobrevivência, afinal é o maior instinto que temos. O mesmo se passa com as nossas partes, mesmo as feridas. A dor, a tristeza, a depressão, o medo, lutam pela sua sobrevivência também, ou seja, não querem simplesmente deixar de existir. Então vão resistir à mudança. A zona de conforto é um lugar seguro, ali controlamos tudo, não arriscamos, vivemos mais do mesmo, e mais do mesmo nós sabemos como lidar e aguentar. Mas mais do mesmo não nos faz crescer nem evoluir. Mais do mesmo deixa-nos estagnados, com pouca vitalidade, entusiasmo ou paixão.

A dor, a mágoa, a tristeza, a fobia ou o trauma tem uma função de sobrevivência, que é manter-nos da zona de conforto onde é seguro. Dizem-nos: “Não vás por aí, olha lá, não é seguro, cuidado!”. Mudar é ameaçador. Fazer diferente é ameaçador. Ficar no novo é ameaçador. A possibilidade de voltar a sofrer, desiludir-se e magoar-se é ameaçador. Mas a nossa alma deseja crescer, transcender essas limitações. O maior desejo de qualquer ser é também ir mais longe, fazer mais, melhor, ou não seríamos insatisfeitos por natureza. A natureza pede isso mesmo: avanço, evolução, revolução. Não podemos evitar a nossa própria natureza. Neste caso, é uma questão de escolha e decisão: ficar na mesma ou crescer.

Para crescer e deixar de ficar na mesma, temos de arriscar, fazer diferente, fazer o que ainda não foi feito, ir até onde nunca fomos, desafiar-nos – ainda que com medo, e apesar do medo. Coragem é isso mesmo. Termos medo e ainda assim irmos e fazermos, não é a ausência de medo. Medo sempre vamos ter. É a função dele alertar-nos, mas o segredo é que podemos ter uma relação diferente com o medo e ser a nossa parte corajosa que se desafia e que comanda as operações, levando o medo pela mão. Dizemos ao medo: “Fica descansado, eu tomo conta. Eu posso, eu consigo, eu sou capaz. Anda daí!”. E então podemos cruzar os mares do desconhecido rumo à nossa própria revolução e superação. E só assim conseguimos fazê-lo.

Published by Paula Chocalhinho

Uso a Psicologia, a Hipnose e as Constelações Familiares para facilitar processos de mudança baseados na autoanálise e no autoconhecimento, indo às causas das perturbações e sintomas (aumento da consciência), promovendo o ensino de estratégias de regulação emocional (ansiedade e pânico) e trabalho com a criança interior para acolhimento das feridas e superação dos traumas. Para marcações, preencher o formulário em Contactar. Podcast Psicologia de Bolso no Spotify.

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