Distopia do tempo

E se o tempo não existisse e não fosse medido por anos? Se não tivéssemos idade e se não nos regêssemos pelas expectativas sociais de trabalho, casamento e filhos? Se não tivéssemos de trabalhar 5 dias e 40h por semana? E se não tivéssemos de pagar despesas e com o dinheiro que sobrasse ir passear, comer fora ou comprar coisas? O que faríamos com tanto tempo livre? O que faríamos com toda essa liberdade? O que faríamos sem tempo e sem expetativas, sem objetivos sociais comuns? Como seria o mundo? Como seria a vida? Como gostaria de viver?

Fomos criados como soldadinhos de chumbo, feitos para obedecer e corresponder a expectativas, bem como a querer cuidar dos outros, ser como os outros e pertencer. Como tal, não podemos desobedecer ou ter a desaprovação dos restantes. É aí que nos tornamos escravos, escravos de um sistema social, de um sistema de regras, de controlo comportamental. Vivemos com ratinhos numa roda e perguntamo-nos porque somos infelizes, porque temos depressão, porque a vida é tão pesada e difícil, e porque existem tantos desafios e porque ficamos doentes.

Por vezes temos dificuldade de sair desse sistema de piloto automático, ou transe sonambúlico: trabalhar, preparar o almoço e o jantar, corresponder a expetativas sociais e cumprir deveres, tarefas e obrigações, ir trabalhar e começar tudo de novo todos os dias para, ao fim-de-semana e folga sou férias poder descansar e ir a algum lado novo ou fazer alguma coisa que gostamos. Depois, tudo de novo novamente. Durante anos, muitas vezes sem nos questionarmos.

Aquele que desperta é aquele que se questiona e aquele que encontra a liberdade nas pequenas coisas. E mais, que tenta fazer diferente, que tenta sair desse registo capitalista de produzir para depois consumir. Ou mesmo que assim o seja, usufruir do que faz e do que consegue adquirir. Não como um escape mas como um usufruto da vida na terra: “já que é assim, vou disfrutar”. Ou embarcamos no jogo ou vivemos angustiados e em negação. A vida na terra é assim, funciona de determinada maneira. Há é que encontrar uma forma de viver cá com a maior satisfação possível, rendendo-nos às limitações que existem e fazendo o melhor que podemos, através das nossas escolhas.

Published by Paula Chocalhinho

Uso a Psicologia, a Hipnose e as Constelações Familiares para facilitar processos de mudança baseados na autoanálise e no autoconhecimento, indo às causas das perturbações e sintomas (aumento da consciência), promovendo o ensino de estratégias de regulação emocional (ansiedade e pânico) e trabalho com a criança interior para acolhimento das feridas e superação dos traumas. Para marcações, preencher o formulário em Contactar. Podcast Psicologia de Bolso no Spotify.

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