O objetivo é sentir, o propósito é viver

Vejo tantas pessoas angustiadas por acharem que não sabem qual é o seu propósito e missão cá na terra, que, por causa disso, se julgam incompetentes, ou não merecedoras de sucesso, e que vivem vidas sem significado ou ânimo (paixão e entusiasmo). Como se a falta dessa informação fosse lesiva. E pensando bem até é. Quando vivemos viciados ou obcecados com uma ideia, com uma falta ou carência, deixamos de ver tudo o resto. Há uma cegueira para outros espetros da realidade e para outros potenciais que existem.

As questões existenciais fazem parte da nossa vida. Talvez nem todas as pessoas se questionem com a mesma intensidade ou profundidade, mas quem o faz, passa muitas vezes por crises existenciais por não ter resposta às suas perguntas, como se isso fosse fundamental para avançar. Não é. O propósito descobre-se descobrindo-se, ou seja – vivendo. O propósito da vida é viver. Mais do que isso, o propósito de estarmos cá é sentir. Sentir tudo o que há para sentir. Através do sentir nós somos guiados para o que gostamos e para o que não gostamos. Para o que nos faz bem e para o que nos faz mal, para o que queremos e para o que não queremos.

Sentir, o objetivo é sentir. É despertar para essa maravilhosa realidade que estamos cá para viver, para experienciar a matéria, para encontrarmos os nossos gostos, dons e interesses. A pergunta deve ser seguida de ação: “O que estou cá a fazer, qual é o propósito de viver?”, é viver, pois está claro, e descobrir o que nos dá prazer viver. E é nessa busca que nos devemos focar, perguntando-nos: “Qual é o trabalho que me daria mais satisfação?”, “Que tipo de relações quero ter na minha vida?”, “Com que atividades quero ocupar o meu tempo livre?”, “O que posso fazer para ter mais liberdade/prazer/satisfação?”. E a seguir a fazer as questões certas, procurar isso mesmo, procurar experienciar e experimentar, mudar, testar hipóteses, ver o que lhe agrada e que não agrada.

Então, mais do que se ficar pela questão “Qual é o meu propósito”, é ir em busca dele, e é nessa busca que o vai encontrando, a cada momento. O propósito é estar bem consigo mesmo/a e fazer coisas que gosta. Simples assim. Mas a simplicidade requer perícia, requer apreciar, requer ficar no que é e ficar até no vazio de não saber mais e não ter respostas para tudo. E nesse desconhecido vamos vivendo e aceitando o que é possível saber, fazer e sentir a cada momento.

Published by Paula Chocalhinho

Uso a Psicologia, a Hipnose e as Constelações Familiares para facilitar processos de mudança baseados na autoanálise e no autoconhecimento, indo às causas das perturbações e sintomas (aumento da consciência), promovendo o ensino de estratégias de regulação emocional (ansiedade e pânico) e trabalho com a criança interior para acolhimento das feridas e superação dos traumas. Para marcações, preencher o formulário em Contactar. Podcast Psicologia de Bolso no Spotify.

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