Transformar a ausência em presença

Seja por uma perda, seja por um sentimento de vazio ou de carência, podemos transformar essa ausência de algo em presença. É dos exercícios, e das conquistas, mais maravilhosas que podemos fazer. Mesmo que haja uma separação, um falecimento de alguém que ama, uma sensação ou sentimento de falta, carência ou solidão, há uma presença capaz de ocupar esses lugares vazios e inóspitos. A presença de si.

Muitas vezes abandonamo-nos por termos sido abandonados/as, rejeitados/as, humilhados/as, atraiçoados/as, injustiçados/as, e sentimos que nos falta algo, que não somos completos/as, que precisamos de algo externo que venha preencher esse lugar. Mas, curiosamente, caso esse preenchimento externo exista (uma pessoa, uma causa, uma relação, um acontecimento), normalmente é algo temporário e algo do qual estamos dependentes, sem qualquer tipo de controlo. A relação pode terminar, a pessoa pode magoar-nos ou estar ausente por vezes, a causa pode chegar ao fim e o acontecimento teve o seu momento e terminou.

Como tal, a única coisa que está na nossa mão e no nosso controlo será sempre a relação que temos connosco. Procuramos fora aquilo que sentimos que não temos, mas muitas vezes o que procuramos fora, é exatamente aquilo que nos falta dar a nós mesmos/as. No fundo, a falta e a carência é exatamente a falta de nós mesmos/as, a ausência de nós mesmos/as. Então, a relação e a conexão que está verdadeiramente à procura é a ligação consigo mesmo/a.

E como pode fortalecer essa conexão, ou mesmo estabelecê-la? Cuidando e acolhendo as suas emoções como de crianças pequenas se tratassem, falando consigo com gentileza, cuidando dos seus pensamentos rebeldes e trazendo a sua criança/adolescente pela mão, sempre atento/a às suas necessidades e manifestações. Ufa, que trabalho, certo? Mas fundamental, se se quer sentir verdadeiramente em paz e harmonia consigo e com os seus vazios e faltas. Você é a pessoa por quem tem esperado todo este tempo, é a minha firme convicção.

Quando perdemos alguém, contudo, seja por separação, afastamento ou morte, podemos continuar a manter a presença dessa pessoa em nós, com carinho e com aceitação, no sentido do que se viveu, da forma que foi e que acabou. Principalmente quando alguém querido parte para outro plano, fica a dor no lugar do amor. Ficamos, muitas vezes, apegados a essa dor, como se a dor fosse a presença dessa pessoa, como o que temos mais próximo da partida dessa pessoa. Mais uma vez, devemos sim manter o sentimento por essa pessoa intacto, no lugar da dor. A presença do que se viveu, as memórias, o afeto, o respeito, o carinho nesse lugar que é o nosso coração, e não a dor ou a raiva da injustiça da partida.

Published by Paula Chocalhinho

Uso a Psicologia, a Hipnose e as Constelações Familiares para facilitar processos de mudança baseados na autoanálise e no autoconhecimento, indo às causas das perturbações e sintomas (aumento da consciência), promovendo o ensino de estratégias de regulação emocional (ansiedade e pânico) e trabalho com a criança interior para acolhimento das feridas e superação dos traumas. Para marcações, preencher o formulário em Contactar. Podcast Psicologia de Bolso no Spotify.

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